Escola Alemã

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Escola Alemã

Como prometido na última matéria, falaremos a partir de agora sobre escolas cervejeiras, começando pela escola Alemã.

Quando alguém falar para você que uma cerveja é da escola tal, você deve entender a palavra “escola” como “tradição”. Assim, de acordo com as condições de cada região tradicional e historicamente produtoras de cervejas, características e perfis se construíram. São essas “culturas” que conheceremos aqui.

Por falar em tradição, vamos começar com a Escola Alemã, geralmente a mais conhecida pelas pessoas. Marcada pela edição da Reinheitsgebot em 1516 (Lei de Pureza Alemã), esta escola se caracteriza pela excelência, qualidade e rigor com os ingredientes e processos de fabricação.

Lei de pureza na escola alemã

A Lei de Pureza, assim que surgiu, determinava que somente seria considerada cerveja a bebida constituída de malte, lúpulo e água. Entretanto, após a descoberta das leveduras por Luis Pasteur no século XIX, trataram logo de editar a Lei. Desta forma, foram incluídas no rol dos ingredientes permitidos na bebida. Como curiosidade, achei interessante transcrever abaixo a íntegra da norma, que foi retirada do www.brejas.com.br :

“Como a cerveja deve ser elaborada e vendida neste país, no verão e no inverno: decretamos, firmamos e estabelecemos, baseados no Conselho Regional, que daqui em diante, no principado da Baviera, tanto nos campos como nas cidades e feiras, de São Miguel até São Jorge, uma caneca de 1 litro ou uma cabeça de cerveja sejam vendidos por não mais que 1 Pfennig da moeda de Munique, e de São Jorge até São Miguel a caneca de 1 litro por não mais que 2 Pfennig da mesma moeda, e a cabeça por não mais que 3 Heller sob as penas da lei. Se alguém fabricar ou tiver cerveja diferente da Märzen, não pode de forma alguma vendê-la por preço superior a 1 Pfennig por caneca de 1 litro.

Em especial, desejamos que daqui em diante, em todas as nossas cidades, nas feiras, no campo, nenhuma cerveja contenha outra coisa além de cevada, lúpulo e água. Quem, conhecendo esta ordem, a transgredir e não respeitar, terá seu barril de cerveja confiscado pela autoridade judicial competente, por castigo e sem apelo, tantas vezes quantas acontecer. No entanto, se um taberneiro comprar de um fabricante um, dois ou três baldes de cerveja para servir ao povo comum, a ele somente, e a mais ninguém, será permitido e não proibido vender e servir a caneca de 1 litro ou a cabeça de cerveja por 1 Heller a mais que o estabelecido anteriormente”.

Guilherme IV, duque da Baviera, no dia de São Jorge (23 de abril), no ano de 1516, em Ingolstadt.

Perfeição e técnica

Perceberam que lá o lance era bem sério? Se você adicionasse ingredientes que não fossem os permitidos na Lei, o seu barril seria confiscado! Esse rigor todo tem sim uma razão e não era exatamente em razão da qualidade. Era uma época de escassez de alimentos e o uso do trigo nas cervejas estava prejudicando a produção de pão. Portanto, foi uma necessidade delimitar como ingredientes apenas os já mencionados acima. Tanto é, que, posteriormente, chegaram a incluir o malte de trigo na Lei. Ainda bem! O que seria de nós sem a Weissbier, não é mesmo?

Buscando sempre a excelência em suas cervejas, técnicas como a fermentação em baixas temperaturas e isolamento de leveduras foram desenvolvidas pela escola. Por esta razão, encontramos mais estilos da família Lager (baixa fermentação) do que da família Ale (alta fermentação) nessa cultura.  Futuramente poderemos conversar sobre estilos e famílias mais detalhadamente, ok? Munich Helles, Pilsner, Vienna Lager, Weissbier e Rauchbier são exemplos de estilos da escola Alemã. Agora você já tem inspiração para quando for ao mercado. Que tal se aprofundar nos estilos desta tradição?

Por enquanto ficamos por aqui e semana que vem tem mais sobre escolas cervejeiras!

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